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No homem é competência, na mulher é arrogância

"Hackerfeminismo e empoderamento tecnológico" foi o tema de uma Roda de Conversa que aconteceu na 17o edição do Fórum Internacional Software Livre, em julho de 2016, na cidade de Porto Alegre (RS). A discussão foi incrível - bem fundamentada e com contribuições muito ricas. Várias novas reflexões foram suscitadas.

 

 

Depois da minha fala na Roda, algo ficou me incomodando, como que martelando na minha cabeça: por que a mulher parece arrogante quando fala coisas que se um homem dissesse talvez fosse considerado "o cara"?

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Mulheres e preconceito velado na TI


Nessa semana, divulgaram na intranet da firma a matéria “ONU premiará cidadãos que contribuem pela igualdade de gênero na tecnologia”. E eis que o primeiro comentário, de um colega homem, foi o seguinte:

Vou irritar as feministas e não acho que sou preconceituoso pois tenho as mulheres em grande consideração mas não acho que as mulheres em geral se interessam pela tecnologia. Não acho que diminuo o valor das mulheres observando isto, este mundo foi construido por homens e elas compreensivelmente nem sempre se encaixam nele. Têm outros interesses. Anos atrás um reitor de uma destas grandes universidades americanas observou isto, que as mulheres são em número bem menor nos cursos de Engenharia e Computação, não me lembro se matemática também e a pressão foi tanta que ele foi obrigado a reconsiderar. Será que estou errado ? Será que somos iguais ?

Minha resposta:

Fulano, respondendo à sua primeira pergunta: você está errado sim. O ambiente da tecnologia que é hostil para as mulheres e não a disciplina em si. Infelizmente, cada vez mais mulheres têm deixado a área de TI no Brasil e no mundo, simplesmente porque são assediadas sexual e moralmente de uma forma insana. Não sou eu quem está dizendo isso, são as pesquisas recentes. Portanto, não é uma questão de "interesse", mas de espaço. Você já viu a quantidade de mulheres que palestrarão no FISL na semana que vem? Convidados FISL16 Isso sim é um evento onde há equidade de gênero, diferente da maior parte dos eventos de TI. Essas mulheres vieram de onde? De Marte? Não, elas são profissionais de TI e muito competentes no que fazem, por isso estão entre os palestrantes de um evento internacional.
Respondendo à segunda, não, não somos iguais. Por isso se fala em pró-equidade de gênero e não em igualdade de gênero. É preciso haver igualdade de oportunidades para os diferentes.
O que se precisa é uma mudança de mentalidade. Mulheres não precisam de vantagens. Basta que se tenha um ambiente saudável para todos, como sugere o Manifesto do Código, que pode ser lido aqui: Manifesto do Código - Mulheres na TI

Como sugestão, para assistir em casa:
Astrofísico Neil DeGrasse Tyson fala sobre as mulheres e os negros na Ciência.